Corpo e mente fortalecidos para o trabalho

19 agosto 2019

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Ao contrário do que muita gente pensa, o jiu-jitsu é uma arte marcial que não privilegia a força, mas sim a técnica e a capacidade de raciocínio. Por isso, seus ensinamentos ajudam a lidar com situações difíceis do dia a dia e podem ser levados para a vida e o trabalho. É o que defende o professor de Endodontia e coordenador de Extensão do curso de Odontologia do Centro Universitário de Anápolis (UniEvangélica), Giulliano Caixeta Serpa, que também escolheu este esporte em busca de um melhor condicionamento físico e alívio para o estresse diário. Giulliano, que também é professor do curso de especialização em Endodontia da ABO Goiás, conta que começou a praticar jiu-jitsu há cerca de 15 anos, logo que se formou na faculdade, ao perceber os benefícios obtidos por seus amigos que já eram praticantes. “Vi que era uma arte marcial que envolvia a perseverança e que ajudava a lidar com situações desconfortáveis do dia a dia, quando temos que respirar fundo para sair de muitos problemas”, explica.
Os fundamentos do jiu-jitsu se baseiam na disciplina, inteligência e técnica. Esses pilares são a base, que é a movimentação sem perder o equilíbrio, a postura, para garantir o alinhamento do corpo, pois a cabeça é a parte mais pesada e sua direção diz a tendência da direção que o corpo está tomando, e o controle, pois, por ser uma luta agarrada, é preciso ter o pensamento de sempre controlar o adversário.
Praticando o esporte, o cirurgião-dentista conseguiu levar seus fundamentos para a vida, obtendo um maior controle pessoal. Ele hoje se diz apaixonado pelo jiu-jitsu, que pratica de três a quatro vezes por semana, em uma academia de Anápolis, cidade onde mora. “No jiu-jitsu, ao contrário de outros esportes, é comum permanecermos sempre na mesma academia”, lembra. Até por isso, segundo o professor, outro grande benefício desta arte marcial é o fato de se fazer amigos para a vida inteira. “É um esporte onde todos, independente da profissão e situação social, são tratados da mesma maneira”, ressalta.

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Xadrez corporal
Giulliano explica que, no jiu-jitsu, o corpo é considerado um xadrez corporal, onde cada golpe executado exige um contragolpe, com agilidade e inteligência. “Acabamos levando isso para o trabalho. Como treina muito o raciocínio, isso me ajuda nas aulas da faculdade e nos atendimentos de consultório que faço”, destaca. Entre seus colegas de academia, estão outros dentistas, além de médicos e advogados. Para eles, a arte marcial também é uma forma de aliviar o estresse do trabalho, unindo atividade física e socialização, ajudando a aumentar essa rede de amizades.
O professor tem uma rotina puxada, pois trabalha em período integral na UniEvangélica, atende em consultório, quando possível, é professor na ABO Goiás e, atualmente, Giulliano também faz curso de doutorado na Universidade Federal de Goiás (UFG). E apesar de tudo isso, ele busca se manter assíduo nos treinos, que acontecem sempre na hora do almoço ou à noite, depois do trabalho. “Meu tempo é dividido entre a faculdade, o doutorado, consultório e a prática do jiu-jitsu”, destaca.

Levando atendimento onde a Odontologia não chega
Mas Giulliano também tem outra atividade igualmente importante, que consome boa parte do seu tempo em determinados períodos. Como coordenador de Extensão do curso de Odontologia da UniEvangélica, há quatro anos, ele coordena todas as ações sociais odontológicas promovidas pela instituição. Com o apoio da faculdade, o professor já realizou diversas missões em várias regiões carentes ou mais longínquas do Brasil, como a Amazônia, e até mesmo fora do País, como no Líbano.

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O cirurgião-dentista explica que o objetivo destes projetos é levar suporte odontológico às comunidades mais necessitadas, principalmente onde não existe nenhum acesso a ações de saúde bucal. Cada um conta com a participação de cerca de 20 alunos do curso de Odontologia da instituição, que levam tratamento gratuito por um período de uma semana a 10 dias para estas pessoas mais necessitadas. Cada projeto é batizado com um nome. Entre eles, estão o UNImissões, realizado no Líbano, o projeto Amazônia e Projeto Uma Semana para Jesus.
Os locais que recebem essas ações sociais são escolhidos por um departamento da UniEvangélica que pesquisa comunidades mais necessitadas no País. O professor e seus alunos já foram para vários estados brasileiros. Um bom exemplo, segundo ele, é o da Amazônia, onde eles precisaram se deslocar por 24 horas de barco para chegarem a algumas comunidades mais distantes. “Encontramos muita gente que nunca tiveram acesso a um tratamento dentário. Na maioria destes lugares, foi o primeiro contato deles com um dentista”, conta.
Ele estima que milhares de pacientes já tenham sido atendidos por este projeto social da área odontológica, pois são realizados cerca de 40 projetos a cada semestre. Somente na última edição, que aconteceu no município de Bela Vista (GO), cerca de 300 pessoas foram atendidas em uma semana. Em consultórios de campanha, eles oferecem todo tipo de tratamento básico, como restaurações, extrações, raspagem e prevenção contra o câncer bucal.

Crescimento pessoal e profissional
Para os alunos, a importância de participar dos projetos é levar o conhecimento adquirido na faculdade para a prática em comunidades mais carentes, onde eles também aprendem muitas coisas novas. Ao vivenciarem de perto as limitações destas comunidades mais carentes, os alunos de Odontologia aprendem a driblar melhor as dificuldades cotidianas, ganham mais proatividade, maior poder de raciocínio, iniciativa e voltam mais maduros e experientes.
Professores e alunos ganham mais crescimento pessoal e profissional. “Eles voltam, inclusive, mais humanos, dando mais valor a todas as etapas do atendimento e até tratando melhor os funcionários da faculdade, pois lá precisam fazer todo tipo de trabalho, inclusive o de limpeza”, explica Giulliano. Segundo ele, a adesão dos alunos aos projetos é voluntária, mas a demanda de interessados sempre é muito grande e é preciso fazer uma seleção para escolher os participantes de cada uma destas missões.

Fonte: Revista Odonto nº 41

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