
Pouca gente sabe que em Goiás já existe um percurso idealizado nos moldes do Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, destinado a peregrinos e esportistas. Bem mais curto que o espanhol, que tem cerca de 800 quilômetros, o Caminho de Cora Coralina tem 304 quilômetros de resgate histórico e cultural do Estado, ambientado por belas paisagens. Mas se você não dispõe de tanto tempo ou preparo físico, também pode fazer o percurso por trechos, até completar todo trajeto. O Caminho de Cora Coralina, ou caminho da poesia, é um projeto criado em 2013 e que foi reimplantado em abril de 2018. A trilha de longo percurso liga as cidades de Corumbá e Goiás, passando por oito municípios e oito povoados goianos, que abrigam diversas cachoeiras, igrejas históricas, parques, restaurantes de comida típica e pousadas. Ao longo do trajeto, a pessoa vai conhecendo um pouco do desbravamento do Estado, através da história, gastronomia, natureza e cultura.
O percurso já está praticamente todo sinalizado. Ao longo dele, a pessoa encontra alguns dos poemas de Cora Coralina em placas espalhadas pelo caminho e aprende muito das palavras simples e fortes que a poetisa deixou como legado. Para quem não a conhece, ela foi uma escritora muito além de seu tempo, que publicou seus próprios livros, o primeiro com 75 anos de idade. Em 1922, foi convidada a participar da Semana de Arte Moderna, mas foi impedida por seu marido. Cora foi eleita intelectual do ano de 1983, com o “Prêmio Juca Pato” da União Brasileira dos Escritores.
A gerente de Projetos, Produtos e Pesquisa Turística da Goiás Turismo, Alexandrina Alves, conta que o caminho faz parte do projeto nacional de Trilhas de Longo Curso e foi o primeiro a ser implantado em Goiás, sendo também o primeiro caminho de poesia do mundo. Segundo ela, o percurso pode ser percorrido a pé ou de bicicleta e já está sendo muito procurado por pessoas de dentro e fora do Estado. Caminhando, é possível percorrê-lo num período de 10 a 12 dias. De bicicleta, o tempo cai para entre 3 e 5 dias.

Shirlene Álvares em percurso do Caminho de Cora Coralina que possui sinalização temática com trechos de poesias da escritora
“Em praticamente todos, a pessoa será recebida com uma boa comida caseira goiana”, destaca Alexandrina. O percurso começa em frente a Igreja Nossa Senhora da Penha de França, em Corumbá, e termina na porta da antiga casa de Cora Coralina, hoje Museu da Cora, em Goiás.
Um dos trechos mais percorridos vai do Pico dos Pirineus à cidade de Pirenópolis. A funcionária pública Shirlene Álvares é uma peregrina profissional que se orgulha de ter sido a segunda pessoa a percorrer o Caminho de Cora. Ela é coordenadora e fundadora de um grupo de trilha, o Pés no Cerrado, e conta que o caminho é dividido em vários trechos, o maior com 38 quilômetros, entre os municípios de São Francisco e Jaraguá. Mas há vários trechos com belas paisagens das serras dos Pirineus, Caxambu, Jaraguá e Dourada, já chegando em Goiás.
“A pessoa pega alguns trechos de asfalto, trieiros e estradão, que beiram belas fazendas e povoados”, conta Shirlene. Apesar do percurso já ter sido todo sinalizado, alguns trechos estão tendo a sinalização refeita neste momento. Segundo ela, também está sendo criada uma associação para trabalhar a manutenção de todo trajeto, inclusive com a criação de pontos de apoio em todas as cidades percorridas. Vários grupos do País estão programados para fazer o caminho este ano.


