Tratamento mais simples, barato e eficiente

19 agosto 2019

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Os pacientes com fratura de zigoma, juntamente com os de mandíbula e ossos do nariz, representam uma grande incidência no serviço público de saúde, totalizando quase 100% dos casos de fraturas de ossos faciais. Mas já é possível tratar estes pacientes de forma mais simplificada, com melhores resultados estéticos e menores custos, riscos, incômodos e morbidade. Essas são as conclusões de um estudo que motivou a publicação do artigo ‘Fratura Zigomática Tratada com Fixação em Ponto Único’, publicada na Revista Odontológica do Brasil Central (Robrac).  Houve um crescimento da incidência de traumas e fraturas faciais nos últimos anos, principalmente por conta da violência urbana e acidentes de trânsito, o que trouxe aos pacientes alterações funcionais, comportamentais e estéticas. A maioria deles são jovens do sexo masculino.
O assistente do Serviço de Cirurgia Buco Maxilo Facial (BMF) do Hospital Regional de Osasco (SP) e professor orientador do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Odontologia da Universidade Ibirapuera (SP), Elio Hitoshi Shinohara, informa que foi essa grande quantidade de pacientes com fratura zigomática que motivou a produção do artigo.
O estudo descreve uma técnica relativamente simples e fundamentalmente barata, acessível à maioria dos serviços públicos de saúde no Brasil. Segundo Shinohara, responsável pelo procedimento, o artigo relata que, com a fixação de um ponto único e reproduzível, é possível obter bons resultados. Além disso, é uma técnica economicamente acessível porque faz uso de menos material de fixação, que são as placas e parafusos de titânio. “Em casos bem indicados apresenta resultados previsíveis e estáveis a longo prazo”, destaca.
Paciente  O caso que motivou o estudo publicado na Robrac é o de um paciente do sexo masculino, de 58 anos, saudável, que foi encaminhado ao Pronto Socorro Municipal de Osasco (SP), onde relatou ter sido assaltado e sofrido um trauma facial. O exame físico específico mostrou perda de projeção zigomática direita, degrau palpável na sutura fronto zigomática, degrau mínimo no rebordo infra orbital e movimentação ocular normal, sem perda de sensibilidade na porção infra orbital.
De acordo com o estudo, após exames laboratoriais e consentimento para cirurgia, o paciente foi submetido a procedimento composto por acesso supratarsal, exposição da fratura, redução, checagem da projeção e fixação utilizando miniplaca 2.0 mm. Foi feita uma nova checagem da posição do zigoma, onde se constatou a resolução do degrau na margem infraorbital. No controle pós-operatório, observou-se abertura bucal normal e restauração da projeção zigomática.
“A fixação em ponto único em caso de fratura zigomática sem fragmentação é bem indicada pela reprodutibilidade de resultados, facilidade na técnica e economia de material, em síntese, oferecendo ao paciente um tratamento adequado na fixação”, explica Elio Shinohara. De acordo com ele, o maior benefício é a simplicidade do tratamento, que restaura a estética e a função do osso zigomático. “É um tratamento ajustado à realidade brasileira, onde os recursos do serviço público oscilam muito e, na maioria das vezes, falta material adequado”, ressalta o professor.
Com o chamado ‘Single point’, ele lembra que o profissional consegue equacionar a fixação, estabilidade de resultado e economia. Por isso, os benefícios incluem a menor morbidade, melhora da estética facial e redução do risco de ocorrerem lesões sensoriais e o incômodo quando são utilizadas as miniplacas e parafusos.
O estudo contou com as participações de Dayane Jaqueline Gross, residente em Cirurgia e Traumatologia Buco Maxilo Facial do Hospital Universitário Regional dos Campos Gerais, de Ponta Grossa (PR); Jéssica Daniela Andreis, mestranda em Odontologia na Universidade Estadual de Ponta Grossa (PR); André Takahashi, professor da disciplina de Cirurgia Bucal da Universidade Estadual de Ponta Grossa; Plínio Jun Iti Yokoyama, trainee em Cirurgia e Traumatologia Buco Maxilo Facial, em Osasco; e dos também cirurgiões Buco Maxilo Facial do Hospital Regional Doutor Vivaldo Martins Simões, de Osasco (SP), Fernando Kendi Horikawa e Iron Ricardo Machado Snidei.
Fonte: Revista Odonto nº 41

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